Agente é agredido covardemente no CDP de Belém II

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Mais um agente de segurança penitenciária (ASP) foi agredido enquanto exercia suas funções dentro da unidade prisional. O ASP Edilson Aparecido Paes, do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Belém II, foi agredido enquanto levava a alimentação aos detentos no Regime de Cela Disciplinar (RCD), conhecido como castigo. O ASP é filiado e delegado do Sindasp-SP na unidade. (A reportagem foi autorizada pelo ASP a publicar o nome e imagem).

 

Paes disse à reportagem do Sindasp-SP que há dois cadeados na cela do RCD e que, após trancar o cadeado superior, abaixou-se para fechar o inferior. Neste momento, um dos detentos que ainda estava solto se aproximou e pediu para que ele olhasse, foi quando o agente foi agredido. O detento desferiu um murro que chegou a quebrar o nariz do ASP.

 

 

De acordo com Paes, o detento se aproximou disse: “Senhor, dá uma olhadinha aqui que eu quero te mostrar um negócio”. Quando o agente olhou, foi covardemente agredido. “Agora não entro mais no raio, psicologicamente não estou bem”, disse o agente à reportagem do Sindasp-SP.

 

Para o presidente do Sindasp-SP, Daniel Grandolfo, “é lamentável que ainda ocorram essas agressões contra os agentes penitenciários que trabalham dignamente para o sustento de suas famílias. É exatamente para se evitar essas agressões covardes que defendemos a automatização das unidades prisionais”. “Não é mais possível exercer a função de agente e representar o Estado dentro das unidades colocando a própria vida em risco”, finalizou Grandolfo.

 

 

A agressão ocorreu no último dia 18, às 17h. Paes é terceiro agente penitenciário agredido no CDP de Belém II no último um ano e meio. Em 2013 foram mais de 30 agressões a agentes penitenciários. O agente aponta ainda que a unidade tem capacidade para 768 presos, mas atualmente abriga 1.520.

 

O Sindasp-SP prestou toda assistência jurídica ao filiado agredido. O acompanhamento foi feito pela advogada da Sede Regional do Sindasp-SP na capital, Eliane Leal. Todos os filiados que passaram por situação semelhante e solicitaram a presença de um advogado, foram prontamente atendidos. Vale lembrar ainda, que o presidente Grandolfo encaminhou ofício ao secretário solicitando a automatização do CDP de Belém II em regime de urgência.

 

 

Perguntado pela reportagem sobre as condições de trabalho e o número de funcionários na unidade, o ASP apontou que “por mais que se pede melhorias nas condições de trabalho, elas não vêm, são péssimas. O número de funcionários é pouco e há mais de dois anos que não chega um novo funcionário”, disse. “Muitas vezes, cada funcionário chega a tomar conta de dois pavilhões. Cada pavilhão tem 340 presos, ou seja, apenas um agentes para 680 detentos”, explicou Paes.

 

Secretário se comprometeu com transferência de agressores

 

Em janeiro de 2012, o presidente do Sindasp-SP esteve reunido em São Paulo com o secretário Lourival Gomes e com o coordenador da Croeste (Coordenadoria das Unidades Prisionais da Região Oeste), Roberto Medina, para discutir os casos de agressões contra agentes que se intensificaram desde 2011.

 

Na oportunidade, o secretário se comprometeu em tomar as medidas necessárias para por fim aos casos de agressões e punir os responsáveis, inclusive com remoção para Penitenciária I de Presidente Venceslau ou Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), se for necessário. “Todos serão punidos exemplarmente”, disse Gomes na época.  

 

Na mesma data, o Sindasp-SP solicitou a criação das Células de Intervenção Rápida (CIR) em todas as unidades prisionais. O secretário disse que todas as unidades devem colocar em prática o CIR e que vai cobraria as unidades que ainda não tivessem o grupo.

 

AUTOMATIZAÇÃO DAS UNIDADES

 

Aos poucos as unidades prisionais do Estado começam a ser automatizadas. A proposta de automatização das unidades foi apresentada pelo Sindasp-SP ao secretário de Estado da Administração Penitenciária, Lourival Gomes, durante uma audiência realizada na SAP em 11/1/2012. Com a automatização, o Sindasp-SP espera que os agentes penitenciários tenham a garantia de segurança física para o exercício diário das funções, e que situações de agressões como essa ocorrida no CDP de Belém II não ocorram mais.

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