ASP lança livro sobre sua experiência de oito anos no sistema penitenciário

0
69

 

 

O Agente de Segurança Penitenciária (ASP) Anderson Gimenes, filiado ao Sindasp-SP/Aaspesp, lançou na última sexta-feira (15) o livro “Diário de um Agente de Segurança Penitenciária”, onde relata a experiência de oito anos de exercício na função, no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Mauá.

 

“O livro conta a minha história como profissional com uma pitada da minha vida pessoal, já que precisei largar tudo e todos, em Presidente Prudente, cidade em que eu morava, por questões financeiras, atrás de um concurso público”, disse Gimenes que hoje trabalha na Penitenciária de Irapuru.

 

O lançamento ocorreu no Centro Cultural Matarazzo, em Presidente Prudente, e contou com os representantes do Sindasp-SP/Aaspesp, José Carlos dos Santos Ernesto (diretor regional de Ribeirão Preto) e Sandra Maria Pereira (delegada na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista), além de diversos filiados.

 

 

 

De acordo com o autor, o livro foi inspirado no rap “Diário de Um Detento”, do grupo Racionais MC’s, e pretende esclarecer verdades e derrubar mitos sobre do sistema. Descreve um trecho do livro: “Um dia qualquer, em serviço como Agente de Segurança Penitenciária no Centro de Detenção Provisória de Mauá, mesmo sem vontade, devido à situação que aquele dia de trabalho me proporcionou, tive que ouvir um dos reclusos cantarolar a música ‘Diário de um Detento’ enquanto fazia uma limpeza da radial de seu raio. Diante desta cena, parei e comecei a observar atenciosamente e, após ouvir os tais versos cantarolados, pensei comigo mesmo: ‘Nesta música o autor relata como é viver por trás das grades de uma cadeia, descrevendo ali um ambiente sanguinário e muito sofrimento, em que ele parece ser a pessoa mais sofrida deste mundo. Que palhaçada, esta realidade descrita aqui hoje eu não vejo! Meu Deus, tanta gente sofrendo neste mundo, sendo que, alguns deste que hoje sofrem, sofrem as consequências de crimes cometidos por indivíduos tais como ele. E este bonitão aí, cantarolando esta música e se sentindo o ser humano mais injustiçado deste mundo. Sendo que neste exato momento muitas mães devem estar chorando a morte de um de seus filhos, que veio a ser assassinado, durante um assalto. Acho que vou também me relatar como um injustiçado escrevendo uma música, descrevendo como é estar dentro de uma cadeia, só que em uma versão proveniente das minhas vivências, ocorridas aqui, do outro lado das grades”.

 

Gimenes relata que inicialmente foi apenas um pensamento, como que uma brincadeira, e que quis expor sua realidade como ASP produzindo uma música para provocar risos entre os companheiros de trabalho. Ele conta que na época tinha pouca experiência como agente penitenciário.

 

 

Com o passar do tempo, ao adquirir mais experiência, foi possível analisar e relatar os fatos para compor sua obra e abordar assuntos como agressões a servidores, tentativas de fuga, entre outros vividos no dia a dia no CDP de Mauá.

 

Ele aponta que levou oito anos “para concluir o trabalho porque precisava de ocasiões e situações ocorridas do dia a dia para compor os capítulos e mostrar para a sociedade a realidade que a gente vive”, disse. “Fui agredido até a vez que tive de agredir também e quando tentaram me matar em uma balada”, relatou.

 

Gimenes relata que o fato que mais marcou sua vida foi o assassinato do diretor geral do CDP, Wellington Rodrigo Segura, em janeiro de 2007. “Ele era como um ídolo para mim. Era um homem que lutava para melhorar o sistema penitenciário e fazer daquele local um lugar melhor para funcionários ou detentos”, disse.

 

O Sindasp-SP parabeniza seu filiado pelo lançamento da obra e deseja que seu trabalho e experiência colabore para mostrar a realidade do sistema prisional principalmente para os novos agentes penitenciários e para a sociedade. 

DEIXE UM COMENTÁRIO

Digite seu comentário!
Informe seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.