Depen investiga se rebelião foi ordenada pelo PCC

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O diretor do Departamento de Execução Penal (Depen) do Paraná, Luiz Alberto Cartaxo Moura, confirmou ontem, em entrevista coletiva, haver indícios de que a rebelião na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 2) foi ordenada, do lado de fora, pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo. “As nossas atividades de inteligência estão trabalhando nesse sentido. Uma grande investigação será feita para responsabilizar (os envolvidos). Foram praticados crimes graves, como (tentativa de) homicídio e dano ao patrimônio público”, disse. Não se sabe, contudo, como a ordem supostamente foi dada – se por telefone, via familiares ou advogados de presos. 

A PEL 2 tem capacidade para 1.086 internos, mas abrigava 1.150, número que, conforme o Depen, não caracteriza superlotação. Durante a madrugada, cerca de 200 rebelados arriscaram passar por um buraco feito em um dos muros. Apenas três deles, porém, conseguiram escapar; um foi recapturado no mesmo dia e dois continuavam foragidos. O almoxarifado, a enfermaria, o consultório médico e odontológico, bem como os setores de trabalho e estudo foram destruídos. Um engenheiro do Depen ainda fazia ontem o levantamento dos prejuízos. A partir da conclusão do balanço, o governo do Estado decidirá se o local passará por uma reforma emergencial, usando recursos disponíveis no orçamento, ou se será necessário abrir uma licitação. 

“Todas as áreas que dizem respeito às atividades de tratamento penal estão prejudicadas. Mas a contenção deles (presos) está preservada, ou seja, os cubículos, as galerias e os pátios. Portanto, há possibilidade de mantermos senão todos, pelo menos a grande maioria lá na PEL 2, que deverá voltar no mais curto espaço de tempo às suas atividades normais”, contou o diretor. 

De acordo com ele, 25 detentos foram transferidos ainda ontem para outras cadeias ou penitenciárias por questões médicas ou de segurança. “Se for necessária mais alguma remoção, ela será feita de forma temporária, para recuperação da unidade. O Depen não negocia transferências”, pontuou. 

 

CARTA

Ao final da rebelião, os presos entregaram ao governo do Estado uma carta de reivindicações. Com o título “Que seja aberto um diálogo”, o texto traz denúncias de maus-tratos, que incluem entrega de “alimentação azeda, isolamentos desnecessários e procedimentos abusivos em dia de visitas”. Os detentos também pedem a dissolução da equipe Alfa, formada por agentes penitenciários que estariam causando “grande parte dos problemas” relatados. “Todos os transtornos ocasionados pela equipe Alfa foram levados ao conhecimento da direção, mas nenhuma providência foi tomada”, diz a carta. 

Os internos solicitam, ainda, que representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da Comissão dos Direitos Humanos (CDH) e do Ministério Público (MP) façam uma vistoria, em caráter de urgência, para investigar “diversas arbitrariedades” cometidas dentro da unidade. Em outra folha, pedem mais estrutura nas penitenciárias e casas de custódia do Paraná, sobretudo as femininas. Os autores reclamam do descumprimento dos horários de visita, da alimentação inadequada e da falta de itens de higiene pessoal nas instituições que abrigam mulheres. 

“Os itens todos serão atendidos. Não há como não atender, porque são até questões que envolvem o interesse do próprio Depen”, afirmou Moura. Ele garantiu, contudo, que não foi detectado nenhum erro de procedimento na PEL 2. Também negou a afirmação de que suicídios cometidos na carceragem foram motivados por torturas. “Todas as mortes que foram investigadas não nos permitiram dizer que houve algo diferente de suicídio ou morte natural nos últimos tempos.”

 

Fonte: Folha Web

 

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