Especialista afirma que combater o tráfico de drogas é missão da Polícia Federal

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O pesquisador do Instituto Universitário de Políticas Públicas e Ciências Políticas da Universidade Cândido Mendes, do Rio de Janeiro, Paulo Storani, ex-capitão do Bope, diz que a falta de gestão e o caráter imediato da atuação das polícias militares são, hoje, as principais deficiências da segurança pública no país.
 
“Quando se pensa em segurança pública, esquecem que a polícia atua quando tudo aquilo que deveria ter evitado o problema falhou. A polícia brasileira, hoje, é pautada pelo imediato. É o aumento da criminalidade, o aumento de demanda naquele tipo de delito, naquele local, por determinado motivo”, explicou. “Existe um problema de entendimento sobre o que trata a segurança pública e isso acontece não só pela população como pelos governantes”, disse Storani.
 
Um exemplo da atuação pontual das autoridades policiais brasileiras citado pelo especialista é a operação Catraca, que desde o início deste mês aborda passageiros em ônibus. A ação foi deflagrada um dia após funcionários da empresa Global Green, que tem concessão para o transporte público de passageiros nas zonas norte e leste de Manaus, recolherem, por conta própria, todos os ônibus da empresa após a ocorrência de três assaltos, em menos de quatro horas, nas linhas 600, 650 e 676.  
 
Storani afirma que, com uma boa equipe, a elaboração de um plano de segurança capaz de minimizar a atuação pontual das autoridades de segurança não exige metade de um mandato eletivo. “É possível fazer uma boa segurança pública. Agora, a aplicação do planejamento requer, pelo menos, uma geração, pois é uma mudança cultural que o país precisa sofrer”, disse.
 
Classificadas por Storani como de vigilância, as polícias estaduais, herança do processo de constituição histórica desde o Brasil Colônia, acabam atuando como polícia de governo e não de Estado, esta última destinada à proteção do cidadão. “É arriscado, por exemplo, uma viatura policial avistar um cidadão trocando um pneu num local deserto, alertá-lo sobre os riscos que ele corre ao estar ali e seguir sua rota sem ajudá-lo a sair daquela situação, porque se lá não tem bandido, a polícia não tem o que fazer”, disse.
 
Segundo o especialista, diferente da polícia caracterizada pelo caráter vigilante, o modelo utópico e tão almejado de uma polícia de proteção ao cidadão requer identificação de problemas, ação, seleção e controle permanente de resultados.
 
Tráfico
 
No Amazonas, segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), 80% dos casos de homicídios são relacionados ao tráfico de drogas. Em março deste ano, em cinco dias, o órgão registrou a apreensão de 665 quilos de drogas entre maconha e cocaína, pelas polícias Civil e Militar.
 
Tomando como base a influência que o tráfico de drogas exerce sobre a prática de crimes como roubos, furtos e homicídios, de acordo com as autoridades de segurança locais, e o trabalho desenvolvido pelo Programa de Policiamento Ostensivo Ronda no Bairro, Storani afirma que a responsabilidade constitucional de combater o tráfico de drogas é da Polícia Federal (PF).
 
Apesar da atribuição da união, o especialista afirma que as polícias estaduais atuam neste tipo de crime mediante convênio assinado entre as polícias dos Estados e a Polícia Federal, no qual as unidades federativas se comprometem em combater o tráfico. “Isso acontece porque a Polícia Federal não tem estrutura, num país de dimensão continental, de desenvolver ações nesse sentido. Principalmente considerando os 17 mil quilômetros de fronteiras secas e molhadas”, afirmou.
 
No Rio de Janeiro, segundo o ex-capitão do Bope, 85% dos esforços da Polícia Militar estão voltados para o combate ao tráfico de entorpecentes, mesmo não sendo este crime atribuição da instituição. A atuação da polícia ostensiva, segundo o ex-capitão, deve ser física e permanente na oportunidade do cometimento do delito e onde houve maior incidência.
 
“A polícia atua no tráfico de drogas, que não lhe cabe constitucionalmente. As fronteiras permitem que drogas e armas entrem em profusão no Brasil. Se considerarmos o Amazonas e suas fronteiras com países vizinhos, muitos deles produtores e exportadores de grandes quantidades de drogas e quem têm os estados amazônicos mas também todos aqueles até o Paraguai com várias rotas que abastecem os grandes centros urbanos, Manaus não é diferente”, comentou Storani. “É abastecida por estas rotas, assim como São Paulo e Rio de Janeiro. Com a diferença de que lá o mercado é maior que o daqui e por isso se torna mais lucrativo”, afirmou o pesquisador.
 
Storani foi a Manaus participar do Experience Day 2015, da Faculdade Martha Falcão/Devry, que aconteceu pela primeira vez na capital.
 
Fonte: D24
 

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