Ferreira Pinto fala sobre editorial de jornal que criticou greve dos agentes penitenciários

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Pela segunda vez, o ex-secretário da Administração Penitenciária e da Segurança Pública do Estado de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto, saiu em defesa da categoria dos agentes de segurança penitenciária (ASP). Ele já havia publicado um texto criticando a falta de diálogo do governo e agora publicou outro texto criticando o editorial de um jornal que fez críticas à greve. Confira o texto na íntegra:

 

 

 

 

GREVE DOS AGENTES PENITENCIÁRIOS

 

Li num editorial de jornal de respeitável circulação equivocada análise de que a greve de agentes penitenciários é irresponsável.

 

Curioso: nenhuma crítica ao Governo!!!

 

NADA MAIS EQUIVOCADO E DISTORCIDO!

 

Concordo apenas num ponto: a irresponsabilidade.

 

De fato ela existe.

 

Mas de quem é a irresponsabilidade? De uma classe oprimida, com minguados salários, desprezada ou de um governo que teima em ser inflexível para demonstrar uma autoridade que está por um fio?

 

De quem é a irresponsabilidade por levar uma categoria à exaustão, no mais elevado grau de periculosidade, sem oferecer as mínimas condições para o exercício de suas funções?

 

De quem é a irresponsabilidade por sentar numa mesa de negociação e oferecer quinquilharias? Essa tática dava certo no tempo das Entradas e Bandeiras…

 

Não existem mais espertos desbravadores e inocentes nativos…

 

Não se pode menosprezar os justos anseios dos agentes penitenciários.

 

De quem é a irresponsabilidade por ter, no trabalho noturno, 30 ou 40 abnegados agentes para conter 1.500 ou 1.700 presos em razão dos claros existentes no quadro de funcionários?

 

De quem a irresponsabilidade por colocar a segurança pública em risco?

 

De quem a irresponsabilidade por ser irredutível?

 

Com certeza não é de quem, sem voz, tem dificuldade para por o pão na mesa, que sai para o trabalho e não sabe se volta!

 

De quem é a irresponsabilidade por se interessar apenas por outros setores da segurança, que devem ser prestigiados sim, muito mais do que são, mas que se extasia com formaturas no Vale do Anhangabaú e distribuições solenes de viaturas, agora regionais, porque dão visibilidade? Eloquentes discursos que não darão o retorno que se pretende, pois a população não é ingênua!

 

De quem é a irresponsabilidade por jogar nas costas do agente penitenciário grande parte do encargo de cuidar da saúde do presos, de seus deslocamentos para hospitais, de controlar a execução da pena de cada um deles, porque o Governo não oferece assistência médica e judiciária adequadas?

 

Como podem alguns juízes de direito (felizmente uma minoria) intimidar agentes em razão da greve justa e que preserva serviços essenciais, se dependem deles para obtenção de informações quando a facção planeja atentar contra a integridade física ou a vida de algum magistrado ou familiares?

 

De quem é a culpa por essa insensibilidade? O bem estar do agente não lhes interessa? A justiça ficará mais morosa? A autoriade do juiz de direito não está sendo arranhada.

 

Os agentes precisam ter voz! Não sabem a força que têm e merecem o respeito de governantes, juízes de direito, promotores de justiça e da imprensa.

 

Como disse em postagem anterior, essa greve não interessa a ninguém, mas seu término só depende da sensibilidade do Governo.

 

Concluindo: aviso aos menos identificados com a questão prisional que não faço essas considerações para angariar a simpatia dos agentes penitenciários.

 

Essa eu já tenho e digo isso de peito estufado, conquistada pelos 10 anos que trabalhei na SAP e SSP.

 

Ninguém ingressa e vive décadas no sistema penitenciário para ser mártir!

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