Manejo psiquiátrico nos pacientes em surto

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O perfil dos reeducandos que adentram no Centro de Detenção Provisória (CDP) “ASP Willians Nogueira Benjamin”, de Pinheiros II, na região Metropolitana de São Paulo, vem mudando nos últimos tempos. Segundo a diretora de Saúde da unidade prisional, Eliana de Souza, é importante que os Agentes de Segurança Penitenciário (ASP) tenham uma noção que o aumento do número de ocorrências de surtos psicóticos nos presídios, hoje em dia, não se restringe somente aos problemas psiquiátricos e múltiplas condições médicas que predispõe o indivíduo ao desequilíbrio emocional, mas também ocorre devido ao uso recorrente de substâncias tóxicas.

Com base nessa dura realidade, o enfermeiro da equipe técnica do CDP Pinheiros II, Carlos Nunes, elaborou o curso “Manejo Psiquiátrico”. De acordo com ele, seu trabalho aborda a importância do cuidado ao lidar com pacientes psiquiátricos em surto. A ação encontrou total apoio da Coordenadoria de Unidades Prisionais da Região Metropolitana de São Paulo (Coremetro) e da própria unidade prisional em que o profissional presta serviços.

Olhar atento

Nunes explicou que um surto psicótico é considerado uma emergência que requer tratamento especializado, por isso é necessário um olhar atento no momento de crise. De forma preventiva, o curso destaca a postura correta a ser adotada pelos servidores nesse momento de crise. Segundo o enfermeiro, devem-se evitar falas desnecessárias com o paciente, proporcionando um ambiente calmo para a ação de toda a equipe, sem causar, no entanto, maior agitação ao quadro do indivíduo, o que poderia vir a resultar em riscos a todos os envolvidos.

A postura durante o momento de crise é muito importante e inversamente proporcional à reação dos agentes de segurança que, em sua maioria, se baseiam em técnicas de defesa pessoal, mas que em situações de surtos são pouco eficazes para o resultado esperado. Por isso, o curso é importante para os servidores dos setores de segurança, vigilância, inclusão e carceragem.

Como exemplo prático, Nunes relatou o caso de um reeducando que várias vezes na semana era atendido na enfermaria da unidade com sintomas de convulsões. Em um desses dias, porém, o enfermeiro o avaliou a partir de um enfoque psiquiátrico, com direito a chá e muita conversa. A partir de então, as visitas do recluso à enfermaria passaram a ser semanais e com abordagem psicoterapêutica.

Segundo a proposta, o curso tem duração de quatro horas e está dividido entre aulas teórica e prática para grupos pré-determinados de 6 a 15 pessoas. Na dinâmica, há abordagens médicas e até uma encenação, onde cada aluno desempenha um papel, incluindo o de paciente em surto psiquiátrico.

A ideia, segundo Nunes, é que cerca de 50% dos servidores de cada turno possam freqüentar as aulas, já que a expectativa é que esses colaboradores possam multiplicar os conhecimentos adquiridos com os demais servidores que não participaram efetivamente do curso, assim todos os funcionários de uma unidade prisional passam a serem considerados referência para atuar ou intervir no momento de caso de real surto de reeducando.


Fonte: SAP

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