Projeto que proíbe revista íntima divide opiniões em Araraquara

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Projeto de lei de autoria do deputado estadual José Bittencourt (PSD) que prevê a proibição da revista íntima nos presídios do Estado causa polêmica, em Araraquara. De um lado, o próprio político e defensores dos direitos humanos que afirmam ser “extremamente constrangedora” a situação.

 

Do outro, a polícia que antevê problemas com a entrada de drogas e celulares dentro dos presídios.

 

No ano passado, somente em Araraquara, foram 43 celulares apreendidos durante as visitas na unidade prisional do município, além de 69 porções de drogas.

 

Para Elton Hugo Negrini, delegado da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), a proibição da revista íntima prejudica a segurança da sociedade como um todo, já que com “os aparelhos são armas nas mãos de quem comanda o tráfico de drogas”.

 

“Seria uma porta de entrada para objetos que contribuem para a prática do crime, que ficaria explícito. Não dá para acabar com a revista íntima, a não ser que se criem novos métodos, mais eficientes, para controlar e evitar a prática”, diz o delegado Negrini.

 

Constrangimento

 

Para a ex-mulher de um detento, o constrangimento durante as revistas é um incomodo para toda a família. Ela foi à Penitenciária de Araraquara durante 13 anos. “As mulheres têm de tirar toda a roupa e passar por um vistoria tão íntima que lembra uma consulta ginecológica”,diz.

 

“Essa revista acontece em uma sala, com cinco ou seis mulheres juntas. É muito constrangimento”, completa ela, que preferiu não ser identificada. Segundo a mulher, as crianças passam por uma situação parecida.

 

“Em bebês, as mães têm de tirar toda a roupa e até a fralda. Nas crianças, a revista é separada das mães e os agentes pedem para que elas também tirem toda a roupa. É humilhante”, completa.

 

Segundo dados da SAP (Secretaria de Administração Penitenciária), o Complexo Penitenciário de Araraquara abriga hoje cerca de 2,3 mil detentos, quando a capacidade total é para apenas 1.557, considerando CDP (Centro de Detenção Provisória) e Penitenciária.

 

‘Peteca cimentada’

 

Durante uma ronda no Complexo Penitenciário de Araraquara, em 2012, um agente flagrou o momento em que um homem se aproximou e arremessou uma espécie de pacote para o interior da unidade. Um dos objetos, apelidado de peteca cimentada, chegou a cair na área interna do presídio, enquanto o outro caiu próximo à muralha, que cerca a unidade.

 

Ao abrir o embrulho, revestido de cimento, foram encontrados dois aparelhos de celular com carregadores. O cimento é usado para proteger os dispositivos do impacto que pode ser causado com a queda, que varia de oito a dez metros de altura.

 

No mesmo ano, o advogado e ex-presidente da Comissão dos Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Roberto Fiore, teria sido flagrado por policiais militares enquanto tentava entregar uma muleta que continha seis celulares a um detento, que prestava depoimento no Fórum de Araraquara.

 

Na ocasião, cartas e escutas telefônicas teriam comprovado o envolvimento de Fiore no caso. Ele ficou preso por 30 dias, mas conseguiu um habeas corpus e responde o processo em liberdade.

 

Fonte: Araraquara.com

 

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