Sindasp entra com ação civil pública contra Iamspe

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Desde o final do ano passado começou a falta de atendimento médico em Araraquara, Ribeirão Preto e região para os funcionários públicos do estado de São Paulo e que pertencem ao Iamspe e, até agora, a problemática não foi resolvida. Inclusive, com várias pessoas que precisam de atendimento médico pagando as consultas com dinheiro do próprio bolso, pois mesmo com convênio do Iamspe não consegue se consultar. “Se ficar doente vai ficar entregue ao Deus dará”, diz o representante do SINDASP-SP (Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária  do Estado de São Paulo), José Carlos dos Santos Ernesto, que é diretor administrativo da Regional de Ribeirão Preto, que inclui 21 cidades, inclusive Araraquara.

 

Ernesto conta que esse problema do convênio vem tentando ser resolvido, no caso dele, em favor da categoria dos agentes de segurança penitenciários. Segundo ele, o  primeiro contato com as unidades do Iamspe de Ribeirão e Araraquara foi verbal e a resposta foi que estavam para reativar o atendimento na Beneficência em Araraquara, pois em Ribeirão eles ainda estavam atendendo, mas observaram que a situação só piorou. “Diante disso, entramos com pedido por meio de ofício que foi feito no dia 26 fevereiro, onde questionávamos mais uma vez a razão da falta de atendimento”.

 

A resposta do Iamspe veio no dia 16 de março e dizia que estavam para reativar o convênio com alguns dos hospitais justificando que de cinco em cinco anos é necessário que seja feita a revisão do contrato e que não houve interesse das partes em renovar os contratos.

 

Objetivo

Ernesto ressalta que o objetivo é saber aonde vai o dinheiro, pois pagam e não têm direito a nada. “Se quiserem uma consulta rápida têm que recorrer ao UPA, mas os valores do convênio  continuam sendo descontados assiduamente e a única forma encontrada para tentar reverter essa situação foi por meio judicial, pois foi tentada todas as esferas que pede o processo administrativo, ou seja, contato verbal, ofício e agora via judicial”.

 

Controvérsias

Mas de acordo com o diretor administrativo, há controvérsias em relação a essa resposta, pois segundo informações dos próprios médicos, existem duas questões importantes: uma delas seria a tabela do Iamspe que alguns reclamam do valor e a outra questão seria a demora no recebimento do repasse da verba. “Com isso, o problema não seria dos hospitais, mas do Iamspe, pois o dinheiro é descontado do nosso salário bruto, cerca de 2%de cada funcionário. Imagina o quanto o Iamspe não arrecada e o que faz com esse dinheiro?, pois esse problema não é só nosso, mas praticamente de todo estado de São Paulo. O Santa Ligia, por exemplo, atende em Ribeirão Preto, mas dizem que é pior do que o SUS, pois você fica no mínimo doze horas para ter uma consulta médica quando tem. Na maioria das vezes, o próprio médico não tem interesse em atender devido as duas questões já citadas”.

 

Ernesto cita a ele mesmo como exemplo, pois necessita fazer uma cirurgia no joelho e o tratamento está sendo feito em Presidente Prudente a quase 500 quilômetros de Araraquara e quando consegue algum tipo de atendimento em São Paulo, espera no mínimo de 3 a 4 meses para marcar uma consulta com especialistas.

 

Ação civil pública

Com toda essa dificuldade, para tentar buscar uma solução para a categoria, o Sindasp entrou com uma ação civil pública no Fórum em Ribeirão Preto. “Vamos esperar pela Justiça para ver o que vai ser decidido, mas queremos deixar bem claro que não queremos o cancelamento do convênio médico, mas sim uma solução nem que for com o Iamspe ou outro tipo de convênio, enfim o que o estado pode fazer, pois recebe nosso dinheiro”, diz acrescentando que estão buscando uma resposta para a categoria para tentar melhorar a situação. “Hoje você está bom, amanhã você não sabe. Por conta disso, muitos agentes têm pago planos de saúde paralelo devido a essa problemática do Iamspe que a cada ano vem piorando e queremos saber o que está acontecendo e no que podemos ajudar para tentar reverter essa situação. Não é somente uma crítica, mas um apoio também que a gente pretende para ajudar no que for preciso, se vai precisar aumentar o desconto, pois não temos condições nenhuma de continuar dessa forma”.

 

Fonte: Jornal “O Imparcial”, de Araraquara

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